TDM – Transtorno Depressivo Maior – O que é e como tratar

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Transtorno Depressivo Maior – O que é e como tratar

A tristeza é algo que todo mundo experimentará um dia. É uma condição humana e perfeitamente normal. É a forma que nosso cérebro reage aos momentos mais difíceis das nossas vidas. Não há problema em sentir-se triste. O problema é permanecer no profundo desânimo. A tristeza, nesse caso, ganha um nome: Transtorno Depressivo Maior (TDM).

O TDM é um distúrbio sério e você precisa dar atenção para ele. Quando uma pessoa é diagnosticada com depressão, tem toda a sua vida interrompida. Não há mais vontade de relacionar-se, até mesmo com a própria família. Em alguns casos, o desejo de morte se concretiza em tentativas de suicídio.

A depressão é um mal reconhecido pela Organização Mundial da Saúde – OMS e, atualmente, é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. Uma pessoa depressiva não sai simplesmente dessa condição. Ela precisa de ajuda e pode ser você o suporte que esse paciente espera.

Nosso post não vai apenas falar sobre o que é o Transtorno Depressivo Maior. Queremos criar um guia que ajudará quem se reconhece neste quadro e também para quem deseja ajudar um paciente com o tratamento.

Para as duas situações, o primeiro passo é o conhecimento. Comece com nosso post.

TDM - Transtorno Depressivo Maior
TDM – Transtorno Depressivo Maior

Transtorno Depressivo Maior (TDM): incapacitante e perigoso

Deixado sem tratamento na maioria dos casos, o Transtorno Depressivo Maior, é uma condição da saúde mental do indivíduo bastante séria e que exige cuidados médicos. Quanto mais precocemente for diagnosticada, menos agressivo é o tratamento.

Explicando de uma forma direta, a depressão é um quadro que se caracteriza basicamente por uma tristeza profunda e constante. As causas são diversas, assim como os tipos de transtorno.

Para alguns centros psicológicos e doutores da área, há um erro também em classificar o TDM diretamente como uma doença. Isso divide opiniões e já foi assunto de artigos científicos e de livros.

Doutor em Psicologia pela Universidade de Coimbra, o português Carlos Lopes Pires, publicou em seu livro “Depressão não é uma doença” que o problema é “um distúrbio emocional, uma desordem”. Em um dos trechos da obra, ele explica que essa confusão de termos começou com os programas de combate à depressão nos anos 90.

Esses programas alertavam sobre a necessidade de tratamentos, inclusive com medicamentos e internações. O resultado foi que, ao tentar mostrar a complexidade da depressão e suas variantes, associaram-na ao nome “doença” e não “desordem”, como deveria acontecer.

Carlos Lopes, em outro momento, ainda mostra a diferença dos termos.

Há uma grande diferença entre perturbação e doença. A depressão é uma síndrome, ou seja, é um conjunto de características que tendem a ocorrer relativamente de forma uniforme e em conjunto, mas nada disso significa que tenha de ter uma causa, isto é, uma disfunção orgânica.

Explicamos melhor.

Doença é a condição de um corpo quando uma de suas partes não apresenta o funcionamento normal e, consequentemente, é manifestada por sintomas físicos. É quando um órgão ou um componente do seu corpo apresenta um problema que pode ser identificado através de uma tomografia, de um Raio-X ou de exames de laboratório, por exemplo.

Mas o cérebro não é parte do corpo também? Sim, ele é. Contudo a depressão é um conjunto de sintomas que se relacionam. O seu corpo inteiro é afetado e responde negativamente a isso. Você não tem um órgão isolado que apresenta um problema. Por esse motivo, para Carlos Lopes e outros especialistas, o correto seria referir-se ao Transtorno Depressivo Maior como distúrbio.

O que é preciso considerar aqui também é que, ao não tratar esse distúrbio, o paciente pode sim desencadear doenças como problemas cardíacos, hipertensão arterial, diabetes, etc.

Falando sobre números

Segundo os dados da OMS, que mostramos no início do post, o Brasil é o país com maior número de casos de depressão da América Latina. Por aqui, 5,8% da população sofre com o problema, o que em números representa cerca de 11,5 milhões de brasileiros. Esses dados ainda não consideram os casos não diagnosticados de TDM, que elevaria os números bem mais.

Quando falamos em números, a depressão no Brasil ganha formas preocupantes.

Dados sobre a depressão - TDM
Dados sobre a depressão – TDM

Mas será que eu tenho isso (TDM)?

Como citamos no tópico anterior, 11,5 milhões de brasileiros tem TDM diagnosticado, mas infelizmente a OMS também mostra que apenas 10% dessas pessoas segue com acompanhamento médico. A falta de recurso é, aparentemente, a principal causa do não tratamento da depressão. Contudo, outro fator preocupa muito mais: o não reconhecimento do problema em seus diferentes graus.

É um fato que a depressão é largamente disfarçada de tristeza. Isso faz com pacientes não se reconheçam com o distúrbio, juntamente com seus amigos e familiares. É preciso alertar sobre os sintomas, dos mais leves aos mais profundos.

Se você não sabe se sofre com depressão, ajudamos a identificar o problema. O Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), da American Psychiatric Association (APA) é o resultado de mais de 10 anos de pesquisa e aponta alguns dos principais sinais e sintomas do Transtorno Depressivo Maior:

Presença de humor deprimido

É comum que pessoas com TDM tenham, na maior parte do dia e quase todos os dias, um humor mais deprimido. Esse humor se caracteriza por fatores como, por exemplo:

  • Sensação de tristeza sem um motivo aparente;
  • Falta de esperança sobre seus desejos, para iniciar um projeto no presente ou no futuro;
  • Sensação de vazio, que há sempre algo faltando, mesmo que não saiba explicar exatamente o que;
  • Tomar para si a tristeza de alguém ao seu redor;
  • Irritabilidade (geralmente comum em crianças e adolescentes).

O IBGE também apresentou estatísticas sobre o comportamento de pessoas depressivas no Brasil. Veja.

Dados IBGE sintomas depressão - TDM
Dados IBGE sintomas depressão – TDM

Perda de prazer e interesse

Quase todas as atividades do dia tornam-se cansativas e enfadonhas. A pessoa com TDM pode até sair de casa e gostar de praticar atividades, como esportes por exemplo, mas há um desinteresse maior, que parece momentâneo, mas é permanente.

Geralmente esses pacientes deixam boa parte de sua rotina de lado e vão, aos poucos, isolando-se em casa. Esse é um dos primeiros passos para a depressão profunda.

Perda ou ganho significativo de peso

O aumento ou a diminuição de peso se dá pelos distúrbios alimentares que geralmente acompanham o Transtorno Depressivo Maior. Deve-se considerar, para esses casos, a alteração do peso além dos 5% (para mais ou para menos) em um mês.

É importante entender a diferença entre os distúrbios alimentares – como Anorexia e Bulimia – e a depressão maior. Os dois primeiros exemplos também são comportamentos depressivos, mas devem ser tratados de uma forma diferente.

Na Anorexia, por exemplo, o paciente tem apetite, mas se recusa a comer. Já na depressão maior o paciente perde a fome por razões muitas vezes inexplicáveis.

Distúrbios do sono

A insônia ou a hipersonia passa a ser constante. Ou o paciente não consegue ter noites tranquilas de sono, por sentir-se extremamente inquieto e irritado, ou há sono em demasia. No primeiro exemplo ainda há o risco de iniciar o consumo de medicamentos tranquilizantes, agravando ainda mais o quadro de depressão.

Agitação ou retardo psicomotor

A sensação de inquietude passa a ser constante. Quase todos os dias o paciente conclui que está mais “lento” em suas atividades, causando um incômodo psicológico. Nessas situações também pode ocorrer o consumo de medicamentos energéticos, causando uma dependência errada deles.

Os comportamentos mais comuns desse sintoma são:

  • Ficar andando de um lado para o outro;
  • Falar muito rápido ou muito devagar;
  • Não ter paciência para concluir uma tarefa simples como cozinhar ou lavar roupas, etc.
Ansiedade e os sintomas da depressão - TDM
Ansiedade e os sintomas da depressão – TDM

Fadiga ou perda de energia

Tarefas que antes eram feitas de forma simples, passam a ser cansativas e monótonas. O paciente pode perder a vontade de se vestir ou tomar banho, por exemplo. Esse geralmente é um dos primeiros sintomas que aparecem em pessoas com Transtorno Depressivo Maior.

Sentimento de culpa e inutilidade constante

Principalmente para recriminação sobre erros do passado. O paciente passa a ruminar falhas antigas e sentir-se com uma culpa além do normal. Também há aqui situações muito comuns que o paciente sabe que sofre de depressão e se culpa por qualquer razão, recusando-se a buscar ajuda, consequentemente.

Indecisão constante

Tomar decisão sobre algo parecerá um tormento para quem sofre de TDM. A concentração para se posicionar  – seja na vida profissional como na pessoal – fica cada vez mais difícil. Isso eleva o sintoma de irritabilidade, principalmente em crianças e adolescentes, como citamos antes.

Pensamentos recorrentes de morte

Falamos aqui sobre pensar em morrer e não somente em ter medo de morrer. O paciente passa a idealizar o suicídio e, em quadros mais graves da depressão, há a tentativa. A ideação suicida se torna cada vez mais recorrente. Também cresce os casos de pessoas que vão um pouco além de pensar em se matar e concretizam o ato.

O Ministério da Saúde lançou a Agenda Estratégica de Prevenção ao Suicídio para tentar reduzir esses casos no Brasil. Os números são alarmantes e mostram que, apenas em nosso país, 11 mil pessoas tiram a própria vida, por ano. O suicídio hoje é a maior causa de mortes entre jovens, principalmente entre os 15 e 29 anos.

Os dados no Ministério da Saúde também mostraram que os homens se suicidam mais por enforcamento, enquanto a maioria das mulheres é por intoxicação exógena (medicamentos, envenenamento, etc.), como mostra o gráfico abaixo.

Proporção de óbitos por suicídio segundo meio utilizado e sexo - TDM
Proporção de óbitos por suicídio segundo meio utilizado e sexo – TDM

Todos os sintomas acima precisam levar a um incômodo significativo por cerca de 2 semanas para ser considerado clinicamente como um transtorno depressivo.

Descobrindo as causas e buscando a saída para a TDM

O TDM precisa ser tratado a partir de suas causas. Ao buscar ajuda médica, o paciente já reconhece a necessidade de um tratamento, o que é um grande e importante passo.

Em consultas, o paciente é questionado sobre eventos passados e recentes que lhe causaram estresse por longos períodos ou em altos níveis, se já utilizou algum tipo de droga ilícita, se abusou do consumo de álcool, se utiliza algum medicamento sem prescrição médica, etc. Toda a história do paciente é importante para a avaliação do transtorno.

Em 2016 um estudo de cientistas americanos foi publicado na revista científica Nature Genetics, mostrando que o Transtorno Depressivo Maior também está associado à genética. Foram encontradas 17 variações de gene em 15 partes do DNA que comprovam a relação da hereditariedade ao distúrbio.

Sendo assim, além de fatores “externos”, uma pessoa que tem pais com quadro de depressão diagnosticado, pode também desenvolver o problema por questões exclusivamente genéticas.

Terapia pode ser a saída para a depressão - TDM
Terapia pode ser a saída para a depressão – TDM

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é tratável

Mesmo em casos onde a depressão é mais profunda, é possível uma recuperação total do paciente. Após identificar as causas que levaram ao distúrbio, o médico pode orientar seu paciente para a melhor forma de tratar o problema.

A orientação pode ser para dosagens controladas de medicamentos antidepressivos, terapias de fala ou uma combinação dos dois tipos. Antes de tomar a decisão sobre qualquer tipo de tratamento, o médico fará exames clínicos, com perguntas sobre a saúde do paciente e os sintomas que são mais aparentes.

Em alguns casos pode também existir a necessidade de exames laboratoriais. Eles excluem possibilidades de outros transtornos e ajudam a identificar problemas físicos já desencadeados devido a depressão.

Uso de medicamentos

O paciente pode necessitar de drogas antidepressivas, como

  • Antidepressivos tricíclicos;
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina;
  • Inibidores da monoamina oxidase;
  • Inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina.

Esses medicamentos podem trazer efeitos como o ganho de peso, sonolência, náuseas e vômitos, diarréia e impotência sexual. Entre complicações mais graves, podemos destacar as convulsões, problemas cardíacos e delírios. No caso de apresentar um dos três, é recomendado retornar ao médico o mais urgente possível.

Terapia da Conversa ou Psicoterapia

Existem três tipos de psicoterapia:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental: aquela que ajuda o paciente a melhorar seus pensamentos negativos. Mostrará saídas positivas e realistas para que haja uma mudança de comportamento e, consequentemente, a melhora do quadro;
  • Terapia Interpessoal: voltada para pacientes com problemas de relacionamento. O médico ajudará na mudança de comportamento que problematizam as relações do paciente e aumentam a depressão;
  • Terapia para Resolução de Problemas: indicada quando a depressão foi ocasionada a partir de um trauma ou uma experiência estressante.
Vida saudável sem depressão - TDM
Vida saudável sem depressão – TDM

Mude seu estilo de vida – A cura vai além dos tratamentos

Se houve o diagnóstico, o primeiro impacto leva à exaustão. É natural que o paciente se sinta um pouco impotente nos primeiros dias. É importante ter a consciência que a terapia de fala e o uso de medicamentos melhorarão o seu corpo e a sua mente, mas é preciso ir além.

Mudar o estilo de vida é fundamental para transformar a depressão maior em passado. Além de ter a chance de retomar as atividades que estavam interrompidas devido o distúrbio, você ativa seu corpo para responder melhor, biologicamente, ao tratamento.

Um pequeno guia de autoajuda para lidar com a depressão

Há mudanças consideradas simples, mas que são bem significativas para quem sofre com Transtorno Depressivo Maior.

  • Aprenda o máximo que puder sobre depressão maior. Leia mais sobre medicamentos, veja documentários que mostram a realidade do problema, leia casos de pacientes que estão curados do distúrbio, procure grupos de ajuda, etc. Toda ação que promoverá mais conhecimento para você é um degrau que se sobe contra a depressão;
  • Faça terapia além do consultório do seu médico. O aconselhamento médico é muito importante e você não deve deixá-lo de lado. Contudo, há outras formas de terapias, como a meditação, prática de atividades relaxantes, como a ioga e o pilates, etc. Essas terapias ajudam seu corpo a relaxar mais e ainda promove mais relacionamentos sociais;
  • Seja ativo. Um dos problemas da depressão maior é a morosidade para a vida e as atividades. Mantenha seu corpo em atividade. Esteja sempre realizando uma tarefa. Isso ajuda a não pensar no quadro depressivo no qual você se encontra e trazer retornos positivos na sua recuperação;
  • Evite o consumo de drogas e álcool. Essa será uma das primeiras recomendações do seu médico, mas é preciso realmente levá-la a sério;
  • Tenha um diário. Se você sempre pensou em fazer um diário e nunca conseguiu, chegou o melhor momento. O diário ajuda bastante no tratamento. Existirão momentos em que os sentimentos típicos da depressão maior retornarão e externá-lo já é uma grande forma de combate.

Dá para prevenir a TDM?

Essa é uma pergunta que muitos se fazem. Se na maioria dos casos de depressão, o quadro é desencadeado por traumas ou experiências negativas do paciente, como é possível prevenir?

A resposta para isso está na forma como você lida com as situações. De fato, não dá para evitar muita coisa em nossas vidas, mas a forma como lidamos com nossos problemas, pode nos erguer ou não.

  • Encontre maneiras de lidar com os seus problemas que não sejam baseados em estresse.
  • Durma bem, coma bem, mantenha uma boa higiene diária, pratique exercícios. Tudo isso é positivo para sua mente;
  • Faça terapia. Busca ajuda de um psicoterapeuta é indicado mesmo que a pessoa não apresente nenhum distúrbio. Esse médico conseguirá, inclusive, diagnosticar a depressão já no início, evitando uma série de conflitos e dores;
  • Controle o uso de álcool e evite a dependência de drogas, ilícitas ou não. Esses medicamentos podem causar dependência. Se você sentiu vontade de tomar aquele remedinho para dormir ou para reduzir a ansiedade, não faça isso. Pratique atividades, mude o foco.

Você se identificou em algum momento com Transtorno Depressivo Maior? Sentiu que algumas das causas ou sintomas estão presentes em sua vida ou na vida de alguém que você conhece? Você pode buscar mais apoio discando 188 de telefone fixo ou móvel. O Centro de Valorização da Vida é uma organização não-governamental, que presta atendimento voluntário para todo brasileiro no combate contra a depressão.

É preciso zelar pela vida de todas as pessoas que sofrem com esse problema. Vamos alertar sobre a depressão! O que acha de firmar um compromisso conosco? Converse sobre o assunto com mais duas pessoas e peça que elas façam o mesmo. Vamos criar uma corrente do bem e tirar a depressão do topo dessa lista da OMS!

E no mesmo caminho da corrente do bem pelo combate à depressão, convidamos você a participar do No Mesmo Espírito, uma iniciativa do São Bernardo Saúde, que visa oferecer benefícios gratuitos para todos, nossos clientes ou não. Fazendo o cadastro agora mesmo, você pode escolher por atendimento médico emergencial por telefone durante 6 meses, resgate com ambulância em qualquer lugar do estado por 90 dias ou um exame de mamografia sem custos.

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